Exercícios sobre autor e eu-lírico
Os exercícios sobre autor e eu-lírico vão apresentar para você as principais diferenças entre esses dois elementos do gênero literário.
Publicado por: Luana Castro Alves PerezQuestões
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Questão 1
(FUVEST – 2001)
Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso... e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.
(Lira dos vinte anos – Álvares de Azevedo)
Nesse excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a:
Alternativa “a”.
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Questão 2
Confidência do itabirano
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!(Carlos Drummond de Andrade)
Sobre o poema de Drummond, é correto afirmar que:
I. O poeta emprega o recurso do eu-lírico para distanciar-se do tema desenvolvido nos versos.
II. A palavra “confidência” afasta o poeta do tema proposto.
III. Há vários indícios que corroboram com a afirmativa de que existem contrapontos importantes entre o eu-lírico e o autor do poema.
IV. A palavra “confidência” aproxima o autor do tema proposto.
Estão corretas as proposições:
Alternativa “c”. O poeta não se exclui do poema, pois há vários indícios, como a palavra confidência e outros elementos, que evidenciam ser o próprio poeta o objeto de seus versos.
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Questão 3
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)
A partir da análise da palavra título, “Autopsicografia”, podemos afirmar que:
Alternativa “e”. Existem alguns elementos no poema, como a própria palavra autopsicografia, que denotam o diálogo entre o autor do poema e o eu-lírico, assim como a reflexão sobre o próprio fazer literário.
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Questão 4
(UFPA)
Se eu podess’ora meu coraçon,
Senhor1, forçar e poder-vos dizer
quanta coita2 mi fazedes sofrer
por vós, cuid’eu, assi Deus mi perdon,
que haveríades doo3 de mi.
Ca4, senhor, pero me fazedes mal
e mi nunca quisestes fazer bem,
se soubéssedes quanto mal mi vem
por vós, cuid’eu, par Deus que pod’e val5,
que haveríades doo de mi.
E, pero mi havedes gran desamor,
se soubéssedes quanto mal levei
e quanta coita, des que vos amei,
por vós, cuid’eu, per boa fé, senhor,
que haveríades doo de mi.
E mal seria se nom foss’assi.
(D. Dinis. In Portal Galego da Língua: Cantigas trovadorescas. Disponível em: http://agalgz.org)
1 – Senhor: senhora. 2 – Coita: sofrimento de amor. 3 – Doo: dó. 4 – Ca: porque. 5 – Val: valer, ajudar.
Considerando-se que o texto transcrito é uma cantiga de amor, é correto afirmar, sobre esse tipo de produção poética, que
Alternativa “e”.
A alternativa “e” menciona as características principais das cantigas de amor, como o sofrimento amoroso do eu-lírico, que se coloca em uma posição de vassalo perante à dama, sua suserana.