Exercícios sobre Macunaíma
Os exercícios sobre Macunaíma apresentarão as principais características da obra-prima do escritor Mário de Andrade.
Publicado por: Luana Castro Alves PerezQuestões
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Questão 1
Os modernistas trouxeram para a Literatura uma nova concepção de linguagem, desvinculando-se da estética parnasiana e apresentando ao público e à crítica inovações formais que denotavam um interesse pela experimentação. Em Macunaíma, Mário de Andrade apresenta o que chamou de língua brasileira, uma mistura do português com as variações encontradas nos diversos falares do povo brasileiro, além de influências estrangeiras e alterações advindas da criatividade popular. Tal afirmação pode ser confirmada nos seguintes trechos da obra de Mário de Andrade:
I. “ No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia, tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma. [...]”.
II. “[...] Ele dava risadas chatas, se espremendo de cócegas e gostando muito. Quando elas paravam pedia mais estorcendo já de antegozo. Vei pôs reparo na senvergonhice do herói, teve raiva. [...]”
III. “[…] O corpo dele relumeava de ouro cinzando nos cristaizinhos do sal e por causa do cheiro da maresia, por causa do remo pachorrento de Vei, e com a barriga assim mexemexendo com cosquinhas de mulher. [...]”.
IV. “[...] No outro dia Macunaíma não achou mais graça na capital da República. Trocou a pedra Vató por um retrato no jornal e voltou pra taba do igarapé Tietê. [...]”.
a) Apenas I está correta.
b) Todas estão corretas.
c) Apenas IV está correta.
d) II e III estão corretas.
e) I e IV estão corretas.
Alternativa “b”. O que Mário de Andrade chamava de “língua brasileira” pode ser observado em todos os trechos.
No trecho I, as palavras indígenas não podem ser consideradas “influências estrangeiras”, já que fazem parte de um idioma pertencente ao território brasileiro. Também não se configuram em uma variação linguística, pois são parte de uma língua indígena autônoma e legítima, da qual o português pode ter tomado palavras como empréstimo. No entanto, no trecho “Essa criança é que chamaram de Macunaíma”, percebe-se um traço de oralidade na expressão “é que”, o que é característico da "língua brasileira".
Nos trechos II e III, observam-se os termos senvergonhice (II) e mexemexendo (II), neologismos assim estruturados por ele por acreditar que era assim que o brasileiro pronunciava essas palavras, expressando, assim, elementos da oralidade.
No trecho IV, também se percebe traço de oralidade no uso da preposição “pra”. Já que o enunciado não especifica o tipo de variação e, se consideramos que “pra” é parte de uma variação linguística diafásica (no caso, usada em contexto de informalidade), então tal palavra (assim como “é que”) indica “uma mistura do português com as variações encontradas nos diversos falares do povo brasileiro”.
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Questão 2
(FUVEST) A presença da temática indígena em Macunaíma, de Mário de Andrade, tanto participa _________________, quanto representa uma retomada, com novos sentidos, _________________.
Mantida a sequência, os trechos pontilhados serão preenchidos corretamente por:
a) do movimento modernista da Antropofagia/do Regionalismo da década de 30.
b) do interesse modernista pela arte primitiva/do Indianismo romântico.
c) do movimento modernista da Antropofagia/do Condoreirismo romântico.
d) da vanguarda estética do Naturalismo/do Indianismo romântico.
e) do interesse modernista pela arte primitiva/do Regionalismo da década de 30.
Alternativa “b”. A presença da temática indígena em Macunaíma revela não só o interesse de Mário de Andrade pela arte primitiva, mas também apresenta uma releitura crítica do Indianismo Romântico. Se José de Alencar criou o mito do “bom selvagem”, Mário de Andrade, com a personagem Macunaíma, criou a figura do “mau selvagem”, rompendo assim com a imagem idealizada do índio brasileiro.
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Questão 3
Pode-se afirmar que Mário de Andrade filiou-se à seguinte corrente literária:
a) Realismo.
b) Naturalismo.
c) Modernismo.
d) Pré-Modernismo.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
Alternativa “e”. Embora sua principal obra, Macunaíma, apresente vários pontos de contato com o Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade, Mário de Andrade nunca se filiou a nenhuma corrente artística da época.
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Questão 4
(FUVEST) Assinale a alternativa correta:
a) Macunaíma é "o herói sem nenhum caráter" porque, no âmbito individual, é múltiplo e contraditório e, no plano da representação de uma coletividade, é inescrupuloso e mau caráter.
b) Macunaíma é "o herói sem nenhum caráter" por apresentar uma personalidade complexa, caracterizada a partir de traços psicológicos delineados sob um ponto de vista objetivo e científico.
c) Macunaíma é "o herói de nossa gente" por retratar, a partir dos traços múltiplos e contrastantes que o caracterizam, a coletividade brasileira, formada pela miscigenação racial e cultural.
d) Macunaíma é "o herói de nossa gente" por ser, como os brasileiros, esperto e trapaceiro, valendo-se mais da criatividade que da inteligência em suas ações.
e) Macunaíma é "o herói sem nenhum caráter" por reunir, de um ponto de vista psicológico e antropológico, as características de um povo cujo comportamento se define pela preguiça e imoralidade.Alternativa “c”. A obra Macunaíma, de Mário de Andrade, é resultado das pesquisas do poeta e escritor sobre a história brasileira a partir dos aspectos da vida urbana e rural do país. Podemos dizer que Macunaíma é um herói de nossa gente por apresentar semelhanças com o povo brasileiro, apresentando aspectos de nossa cultura, sendo eles primitivos ou civilizados.
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Questão 5
O capítulo “Carta pras icamiabas” difere-se dos demais capítulos por:
a) Apresentar um narrador-personagem, o próprio herói.
b) Apresentar um apagamento do narrador na narrativa.
c) Apresentar o foco narrativo na terceira pessoa.
d) Apresentar um narrador-onisciente.
e) Apresentar um narrador-observador.
Alternativa “a”. O capítulo “Carta pras icamiabas” difere-se dos demais por destacar-se na narrativa ao apresentar um narrador-personagem, pois o próprio herói relata suas experiências em São Paulo para suas súditas amazonas.