Exercícios sobre sintaxe

Resolva esta lista de exercícios sobre sintaxe, que testa os seus conhecimentos sobre análise sintática, concordância, regência e colocação dos termos dentro da oração.

Perguntas

Questão: 1

A sintaxe é a parte da gramática que estuda:

A) a origem histórica das palavras.

B) a relação entre os sons e as letras.

C) a estrutura das palavras e seus morfemas.

D) a organização dos termos na oração e suas relações.

E) o significado isolado das palavras no dicionário.

Questão: 2

Associe cada tipo de sintaxe à sua função.

I. Sintaxe de concordância

II. Sintaxe de regência

III. Sintaxe de colocação

IV. Análise sintática

( ) Estuda a função exercida pelos termos na oração.

( ) Estuda a disposição dos termos dentro da oração.

( ) Estuda as relações de dependência entre termos.

( ) Estuda as relações de flexão entre os termos.

A sequência correta é:

A) IV, III, II, I.

B) I, II, III, IV.

C) III, IV, I, II.

D) II, I, IV, III.

E) IV, II, I, III.

Questão: 3

(Faesa)

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Exames podem detectar doenças oculares silenciosas; veja cuidados

A saúde ocular deve ser acompanhada desde o nascimento até a terceira idade, especialmente diante do uso crescente de telas. Para prevenir doenças oculares silenciosas, é essencial manter uma rotina de exame de saúde como acuidade visual, pressão ocular, biomicroscopia e fundoscopia.

Juliana Oliveira, oftalmologista, destaca que o primeiro exame obrigatório no Brasil é o teste do olhinho, feito ao nascer. A partir dos três anos, é indicada avaliação anual para detectar precocemente alterações visuais, inclusive glaucoma, catarata e problemas na retina, especialmente na velhice.

Hábitos saudáveis — como boa alimentação e prática de atividades físicas — ajudam a preservar a visão. As doenças mais comuns incluem ametropias não corrigidas, conjuntivites, glaucoma e catarata senil. Sintomas como dor, vermelhidão, secreção e perda de visão parcial ou total exigem atenção médica imediata.

O uso precoce e excessivo de telas eleva o risco de miopia, olho seco e distúrbios do sono. Para minimizar os efeitos, recomenda-se limitar o tempo diante de telas, fazer pausas regulares e, com orientação médica, usar óculos com filtro de luz azul, colírios específicos e lentes para controle da miopia.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/exames-podem-detectar-doencasoculares-silenciosas-veja-cuidados/.ADAPTADO.

Para "prevenir" doenças oculares silenciosas, é essencial "manter" uma rotina de exame de saúde como acuidade visual, pressão ocular, biomicroscopia e fundoscopia.

De acordo com as regras de regência verbal, os verbos destacados nesta frase funcionam, respectivamente, como:

A) Transitivo indireto e transitivo indireto, pois ambos exigem complemento iniciado por preposição, indicando relação indireta com seus objetos.

B) Intransitivo e bitransitivo, porque o primeiro verbo possui sentido completo e o segundo exige dois complementos, um direto e outro indireto.

C) Transitivo direto e intransitivo, pois o primeiro exige complemento direto, e o segundo tem sentido completo sem necessidade de complementação.

D) Transitivo direto e transitivo direto, pois tanto "prevenir" quanto "manter" exigem um único complemento sem preposição, ou seja, um objeto direto que completa seu sentido.

Questão: 4

(Faesa) O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Exames podem detectar doenças oculares silenciosas; veja cuidados

A saúde ocular deve ser acompanhada desde o nascimento até a terceira idade, especialmente diante do uso crescente de telas. Para prevenir doenças oculares silenciosas, é essencial manter uma rotina de exame de saúde como acuidade visual, pressão ocular, biomicroscopia e fundoscopia.

Juliana Oliveira, oftalmologista, destaca que o primeiro exame obrigatório no Brasil é o teste do olhinho, feito ao nascer. A partir dos três anos, é indicada avaliação anual para detectar precocemente alterações visuais, inclusive glaucoma, catarata e problemas na retina, especialmente na velhice.

Hábitos saudáveis — como boa alimentação e prática de atividades físicas — ajudam a preservar a visão. As doenças mais comuns incluem ametropias não corrigidas, conjuntivites, glaucoma e catarata senil. Sintomas como dor, vermelhidão, secreção e perda de visão parcial ou total exigem atenção médica imediata.

O uso precoce e excessivo de telas eleva o risco de miopia, olho seco e distúrbios do sono. Para minimizar os efeitos, recomenda-se limitar o tempo diante de telas, fazer pausas regulares e, com orientação médica, usar óculos com filtro de luz azul, colírios específicos e lentes para controle da miopia.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/exames-podem-detectar-doencasoculares-silenciosas-veja-cuidados/.ADAPTADO.

As doenças mais comuns incluem ametropias não corrigidas, conjuntivites, glaucoma e catarata senil.

Sintaticamente, é correto afirmar que, nesta frase:

A) há um sujeito composto que exerce ação sobre um verbo intransitivo, seguido de predicativo do objeto.

B) o verbo da oração está na voz passiva, e o termo "catarata senil" atua como agente da passiva.

C) "não corrigidas" e "senil" são complementos nominais, pois completam o sentido de substantivos abstratos com preposição implícita.

D) o sujeito da oração é simples, e o verbo "incluem" é transitivo direto, possuindo objeto direto composto.

Questão: 5

(Vunesp) Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder à questão.

1     Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo- -se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...

2      — Bom dia.

3      — Bom dia!

4     — Bom dia, Carvalho!...

5     ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...

6     A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.

7     Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitualmente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.

(Os ratos, 2022.)

1 porte-monnaie: porta-moedas.

“O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos.” (1º parágrafo)

Em relação à oração que a precede, a oração sublinhada expressa uma circunstância de

A) tempo.

B) causa.

C) condição.

D) comparação.

E) concessão.

Questão: 6

(Fundep) Leia a seguir uma manchete e sua reescrita.

Manchete:

Rebeca Andrade é reverenciada no pódio por Simone Biles e Jordan Chiles

Disponível em: https://ge.globo.com/. Acesso em: 5 ago. 2024.

Reescrita

Simone Biles e Jordan Chiles reverenciam Rebeca Andrade no pódio

Considerando as vozes verbais utilizadas na elaboração da manchete e da reescrita apresentadas, conclui-se que

A) a reescrita põe em evidência a ação verbal, em detrimento do sujeito “Simone Biles e Jordan Chiles”

B) a reescrita, por apresentar estrutura sintática diferente, não apresenta a mesma informação da manchete.

C) na elaboração da manchete, há um destaque para a ginasta brasileira, pois seu nome aparece como sujeito.

D) na construção sintática da manchete, há uma ênfase no agente da passiva, isto é, “por Simone Biles e Jordan Chiles”.

Questão: 7

(FGV – Adaptada)

Livros a Mancheias

Em muito boa hora importantes jornais brasileiros, a exemplo do que já fazem publicações no estrangeiro, começaram a oferecer, a título de brinde, obras do maior interesse cultural e artístico. Saem, assim, semanalmente, cadernos de dicionários, de enciclopédias, de atlas, com o propósito de enriquecer o conhecimento de seus leitores e melhorar a biblioteca familiar, hoje praticamente inexistente na maioria dos lares. Estamos, com pesar, distantes daqueles tempos em que uma nutrida biblioteca dentro de casa aumentava as informações oferecidas na escola ou servia de lazer em horas de leitura nos grandes representantes da literatura nacional e estrangeira.

BECHARA, Evanildo. Na Ponta da Língua, Editora Lucerna, RJ 20011

Assinale a frase em que a preposição de sublinhada é uma exigência de um termo anterior.

A) “Saem, assim, semanalmente, cadernos de dicionários ...”

B) “...com o propósito de enriquecer o conhecimento de seus leitores ...”

C) “...começaram a oferecer, a título de brinde, obras do maior interesse cultural e artístico.”

D) “...ou servia de lazer em horas de leitura nos grandes representantes da literatura nacional e estrangeira.”

Questão: 8

(Fundep)

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

A importância da análise de dados na saúde

O mercado financeiro não sobreviveria sem a análise de dados. É ela que permite a detalhada avaliação de tendências e riscos e que informa a tomada de decisão. Na saúde, a análise de dados também permite a avaliação de tendências e riscos e informa a tomada de decisão. Entretanto, o que está em jogo são vidas!

O Brasil coleta sistematicamente dados de nascimentos, óbitos, hospitalizações, vacinação, agravos de notificação compulsória, dentre outros. Isso é feito em todo o território nacional. Os dados coletados são a fonte de muitas análises retrospectivas que revelam, por exemplo, fatores de risco, padrões de desigualdade, caraterísticas sazonais de agravos e características de grupos e áreas vulneráveis. Análises prospectivas que tenham a agilidade e rapidez das análises do mercado financeiro também são necessárias. Ressalto três aspectos.

Primeiro, em áreas de difícil acesso que não possuem conexão digital, a entrada de dados é geralmente feita com atraso. Isso compromete a rápida detecção de problemas e, portanto, prejudica a tomada de decisão. Impede, ainda, a promoção da saúde digital. Essa é a realidade de muitas comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia. Aqui, a ação da segurança pública é fundamental para viabilizar o trabalho dos profissionais de saúde. Essa é uma das dificuldades na terra indígena Yanomami e em áreas controladas pelo tráfico de drogas.

Segundo, a riqueza dos dados de saúde coletados no Brasil seria ampliada, caso as bases fossem integradas de tal forma que todas as passagens pelo sistema de saúde, bem como os agravos que uma pessoa tenha tido ao longo da vida, estivessem conectados. Ou seja, um histórico individual de agravos, atendimentos e procedimentos médicos, do nascimento à morte.

Esse histórico individual poderia ainda conter dados das localidades dos indivíduos, tais como cobertura e uso da terra, produção econômica e clima. Além da oferta de serviços nessa localidade, uma vez que também há dados sobre estabelecimentos e profissionais de saúde. A integração das bases permitiria que o Brasil fosse pioneiro no uso de ciência de dados para a saúde, utilizando a maior e mais completa base de dados com o principal objetivo de reduzir a atual carga de doenças, prevenir cargas futuras e otimizar a oferta de serviços a fim de minimizar iniquidades.

Terceiro, a análise ágil, integrada e efetiva dos dados da saúde é fundamental para conter surtos e salvar vidas. Uma plataforma que permita o uso dos dados coletados de forma ágil, integrada e efetiva para a tomada de decisão é uma demanda urgente. A ideia é simples, porém disruptiva.

Em um primeiro momento, contribuiria para melhorar as ações e serviços sendo prestados. Ao longo do tempo, permitiria que as ações do Ministério da Saúde focassem na prevenção e não na reação ao problema. Tal plataforma seria a mola mestre para se ter um Ministério que seja prioritariamente um veículo de promoção de saúde e não um administrador de doenças. O Brasil pode (e deve) tornar isso uma realidade.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ marcia-castro/2024/01/a-importancia-da-analise-de-dadosna-saude.shtml. Acesso em: 2 ago. 2024 (adaptado).

Releia o trecho a seguir.

“Aqui, a ação da segurança pública é fundamental para viabilizar o trabalho dos profissionais de saúde.”

O fragmento em destaque caracteriza-se como um

A) adjunto adverbial, que completa o sentido do verbo.

B) complemento para o nome que precede essa oração.

C) objeto indireto para o verbo da primeira oração.

D) predicativo para o sujeito da primeira oração.

Questão: 9

(Fundep)

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

A importância da análise de dados na saúde

O mercado financeiro não sobreviveria sem a análise de dados. É ela que permite a detalhada avaliação de tendências e riscos e que informa a tomada de decisão. Na saúde, a análise de dados também permite a avaliação de tendências e riscos e informa a tomada de decisão. Entretanto, o que está em jogo são vidas!

O Brasil coleta sistematicamente dados de nascimentos, óbitos, hospitalizações, vacinação, agravos de notificação compulsória, dentre outros. Isso é feito em todo o território nacional. Os dados coletados são a fonte de muitas análises retrospectivas que revelam, por exemplo, fatores de risco, padrões de desigualdade, caraterísticas sazonais de agravos e características de grupos e áreas vulneráveis. Análises prospectivas que tenham a agilidade e rapidez das análises do mercado financeiro também são necessárias. Ressalto três aspectos.

Primeiro, em áreas de difícil acesso que não possuem conexão digital, a entrada de dados é geralmente feita com atraso. Isso compromete a rápida detecção de problemas e, portanto, prejudica a tomada de decisão. Impede, ainda, a promoção da saúde digital. Essa é a realidade de muitas comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia. Aqui, a ação da segurança pública é fundamental para viabilizar o trabalho dos profissionais de saúde. Essa é uma das dificuldades na terra indígena Yanomami e em áreas controladas pelo tráfico de drogas.

Segundo, a riqueza dos dados de saúde coletados no Brasil seria ampliada, caso as bases fossem integradas de tal forma que todas as passagens pelo sistema de saúde, bem como os agravos que uma pessoa tenha tido ao longo da vida, estivessem conectados. Ou seja, um histórico individual de agravos, atendimentos e procedimentos médicos, do nascimento à morte.

Esse histórico individual poderia ainda conter dados das localidades dos indivíduos, tais como cobertura e uso da terra, produção econômica e clima. Além da oferta de serviços nessa localidade, uma vez que também há dados sobre estabelecimentos e profissionais de saúde. A integração das bases permitiria que o Brasil fosse pioneiro no uso de ciência de dados para a saúde, utilizando a maior e mais completa base de dados com o principal objetivo de reduzir a atual carga de doenças, prevenir cargas futuras e otimizar a oferta de serviços a fim de minimizar iniquidades.

Terceiro, a análise ágil, integrada e efetiva dos dados da saúde é fundamental para conter surtos e salvar vidas. Uma plataforma que permita o uso dos dados coletados de forma ágil, integrada e efetiva para a tomada de decisão é uma demanda urgente. A ideia é simples, porém disruptiva.

Em um primeiro momento, contribuiria para melhorar as ações e serviços sendo prestados. Ao longo do tempo, permitiria que as ações do Ministério da Saúde focassem na prevenção e não na reação ao problema. Tal plataforma seria a mola mestre para se ter um Ministério que seja prioritariamente um veículo de promoção de saúde e não um administrador de doenças. O Brasil pode (e deve) tornar isso uma realidade.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ marcia-castro/2024/01/a-importancia-da-analise-de-dadosna-saude.shtml. Acesso em: 2 ago. 2024 (adaptado).

Releia o trecho a seguir.

“Primeiro, em áreas de difícil acesso que não possuem conexão digital a entrada de dados é geralmente feita com atraso.”

A função da oração subordinada destacada no período é

A) apresentar uma generalização de que, no Brasil, todas as áreas remotas não possuem acesso a tecnologias digitais.

B) completar o sentido da informação apresentada pelo adjunto adverbial de lugar, que a antecede.

C) condicionar o uso de dados à presença da conexão digital e incluir na discussão as áreas remotas do país.

D) indicar que as áreas de difícil acesso citadas são especificamente aquelas em que não há conexão digital.

Questão: 10

(Vunesp) Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder à questão.

1     Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo- -se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...

2      — Bom dia.

3      — Bom dia!

4     — Bom dia, Carvalho!...

5     ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...

6     A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.

7     Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitualmente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.

(Os ratos, 2022.)

1 porte-monnaie: porta-moedas.

Ocorre objeto direto preposicionado quando o objeto direto de uma oração é introduzido por uma preposição, por motivo de ênfase, clareza ou estilo. Identifica-se um exemplo de objeto direto preposicionado em:

A) “tornou a colocá-lo onde estava” (1º parágrafo).

B) “Pega da bengala e dos jornais” (1º parágrafo).

C) “Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro” (1º parágrafo).

D) “A onda de calor foge progressivamente do seu rosto” (6º parágrafo).

E) “Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono” (7º parágrafo).

Questão: 11

(Enem)

E: Diva ... tem algumas ... alguma experiência pessoal que você passou e que você poderia me contar ... alguma coisa que marcou você? Uma experiência ... você poderia contar agora...

I: É ... tem uma que eu vivi quando eu estudava o terceiro ano científico lá no Atheneu...né... é:: eu gostava muito do laboratório de química ... eu ... eu ia ajudar os professores a limpar aquele material todo ... aqueles vidros ... eu achava aquilo fantástico ... aquele monte de coisa ... né ... então ... todos os dias eu ia ... quando terminavam as aulas eu ajudava o professor a limpar o laboratório ... nesse dia não houve aula e o professor me chamou pra fazer uma limpeza geral no laboratório ... chegando lá ... ele me fez uma experiência ... ele me mostrou uma coisa bem interessante que ... pegou um béquer com meio d’água e colocou um pouquinho de cloreto de sódio pastoso... então foi aquele fogaréu desfilando... aquele fogaréu ... quando o professor saiu ... eu chamei umas duas colegas minhas pra mostrar a experiência que eu tinha achado fantástico ... só que ... eu achei o seguinte ... se o professor colocou um pouquinho... foi aquele desfile... imagine se eu colocasse mais ... peguei o mesmo béquer ... coloquei uma colher ... uma colher de cloreto de sódio ... foi um fogaréu tão grande ... foi uma explosão ... quebrou todo o material que estava exposto em cima da mesa eu branca... eu fiquei...olha..eu pensei que fosse morrer sabe ... quando ... o colégio inteiro correu pro laboratório pra ver o que tinha sido ...

CUNHA, M. A. F. (Org.). Corpus discurso & gramática: a língua falada e escrita na cidade de Natal. Natal: EdUFRN, 1998.

Na transcrição de fala, especialmente, no trecho “eu branca...eu fiquei...olha...eu pensei que fosse morrer sabe...", há um estrutura sintática fragmentada, embora facilmente interpretável. Sua presença na fala revela

A) distração e poucos anos de escolaridade.

B) falta de coesão e coerência na apresentação das ideias.

C) afeto e amizade entre os participantes da conversação.

D) desconhecimento das regras de sintaxe da norma padrão.

E) característica do planejamento e execução simultânea desse discurso.

Questão: 12

(Enem)

Os velhos papéis, quando não são consumidos pelo fogo, às vezes acordam de seu sono para contar notícias do passado.

É assim que se descobre algo novo de um nome antigo, sobre o qual já se julgava saber tudo, como Machado de Assis.

Por exemplo, você provavelmente não sabe que o autor carioca, morto em 1908, escreveu uma letra do hino nacional em 1867 — e não poderia saber mesmo, porque os versos seguiam inéditos. Até hoje.

Essa letra acaba de ser descoberta, em um jornal antigo de Florianópolis, pelo pesquisador independente Felipe Rissato.

“Das florestas em que habito/ Solto um canto varonil:/ Em honra e glória de Pedro/ O gigante do Brasil”, diz o começo do hino, composto de sete estrofes em redondilhas maiores, ou seja, versos de sete sílabas poéticas. O trecho também é o refrão da música.

O Pedro mencionado é o imperador Dom Pedro II. O bruxo do Cosme Velho compôs a letra para o aniversário de 42 anos do monarca, em 2 de dezembro daquele ano— o hino seria apresentado naquele dia no teatro da cidade de Desterro, antigo nome de Florianópolis.

Disponível em: www.revistaprosaversoearte.com. Acesso em: 4 dez. 2018 (adaptado).

Considerando-se as operações de retomada de informações na estruturação do texto, há interdependência entre as expressões

A) “Os velhos papéis” e “É assim”.

B) “algo novo” e “sobre o qual”.

C) “um nome antigo” e “Por exemplo”.

D) “O gigante do Brasil” e “O Pedro mencionado”.

E) “o imperador Dom Pedro II” e “O bruxo do Cosme Velho”.

Respostas

Questão: 1

Alternativa D.

A) Incorreta. A origem das palavras é estudada pela etimologia.

B) Incorreta. A relação entre sons e letras se aproxima dos estudos fonéticos, fonológicos e ortográficos.

C) Incorreta. A estrutura interna das palavras é estudada pela morfologia.

D) Correta. A sintaxe analisa como os termos se organizam na oração e quais relações estabelecem entre si.

E) Incorreta. O significado das palavras se relaciona mais diretamente à semântica.

Questão: 2

Alternativa A.

I. A sintaxe de concordância (verbal e nominal) estuda as relações de flexão entre os termos da oração (flexão de gênero, de número e de pessoa).

II. A sintaxe de regência (verbal e nominal) estuda as relações de dependência entre os termos da oração, havendo os complementos nominal e verbal.

III. A sintaxe de colocação estuda a posição dos termos na oração.

IV. A análise sintática estuda as funções dos termos em uma oração.

Questão: 3

Alternativa D.

A) Incorreta. Os verbos “prevenir” e “manter”, no contexto apresentado, não exigem complemento iniciado por preposição.

B) Incorreta. “Prevenir” não é intransitivo nesse trecho, pois seu sentido é completado por “doenças oculares silenciosas”. Além disso, “manter” não exige dois complementos.

C) Incorreta. O verbo “prevenir” é transitivo direto no trecho, mas “manter” também exige complemento direto: “manter uma rotina de exame de saúde”.

D) Correta. Tanto “prevenir” quanto “manter” são verbos transitivos diretos nesse contexto, pois seus complementos não são introduzidos por preposição obrigatória.

Questão: 4

Alternativa D.

A) Incorreta. O sujeito não é composto. O sujeito é “As doenças mais comuns”, cujo núcleo é apenas um: “doenças”. Além disso, o verbo “incluem” não é intransitivo.

B) Incorreta. A oração está na voz ativa, e não na voz passiva. “Catarata senil” integra o objeto direto, não o agente da passiva.

C) Incorreta. “Não corrigidas” e “senil” caracterizam substantivos, funcionando como termos de valor adjetivo, não como complementos nominais.

D) Correta. O sujeito é simples: “As doenças mais comuns”. O verbo “incluem” é transitivo direto e tem objeto direto composto: “ametropias não corrigidas, conjuntivites, glaucoma e catarata senil”.

Questão: 5

Alternativa A.

A) Correta. A oração “mal lhe cai o dinheiro nas mãos” expressa circunstância de tempo, pois “mal”, nesse contexto, tem sentido de “assim que” ou “logo que”.

B) Incorreta. A oração não apresenta a causa da ação anterior, mas o momento em que ela ocorre.

C) Incorreta. Não há ideia de condição, pois a oração não indica uma hipótese necessária para a realização da ação.

D) Incorreta. A oração não estabelece comparação entre elementos.

E) Incorreta. Não há concessão, isto é, não se apresenta uma oposição ou uma quebra de expectativa.

Questão: 6

Alternativa C.

A) Incorreta. Na reescrita, “Simone Biles e Jordan Chiles” aparecem como sujeito da oração, portanto ganham destaque como agentes da ação.

B) Incorreta. Apesar da mudança sintática, a informação central é mantida: Rebeca Andrade foi reverenciada por Simone Biles e Jordan Chiles no pódio.

C) Correta. Na manchete, “Rebeca Andrade” aparece como sujeito da oração na voz passiva, o que dá destaque à ginasta brasileira.

D) Incorreta. A manchete não enfatiza principalmente o agente da passiva; o destaque recai sobre o sujeito paciente, “Rebeca Andrade”.

Questão: 7

Alternativa B.

A) Incorreta. Em “cadernos de dicionários”, a preposição “de” estabelece relação de especificação, mas não é exigida por um termo regente no sentido de regência.

B) Correta. Em “com o propósito de enriquecer”, a preposição “de” é obrigatória na locução “a propósito de”, formando uma relação de regência nominal.

C) Incorreta. Em “obras do maior interesse”, a preposição indica caracterização/especificação, e não exigência de um termo anterior.

D) Incorreta. Em “horas de leitura” e “representantes da literatura”, há relações de especificação, e não exigência regencial como ocorre em “propósito de”.

Questão: 8

Alternativa B.

A) Incorreta. O trecho destacado não funciona como adjunto adverbial, pois não indica circunstância da ação verbal. Além disso, adjuntos adverbiais não “completam” o sentido do verbo.

B) Correta. Em “é fundamental para viabilizar o trabalho dos profissionais de saúde”, a oração introduzida por “para” completa o sentido do adjetivo “fundamental”. Trata-se, portanto, de complemento ligado a um nome.

C) Incorreta. O fragmento não funciona como objeto indireto do verbo “ser”.

D) Incorreta. O predicativo do sujeito é “fundamental”; o trecho “para viabilizar...” apenas complementa o sentido desse termo.

Questão: 9

Alternativa D.

A) Incorreta. A oração destacada não faz uma generalização de que todas as áreas remotas do Brasil não possuem conexão digital; ela, na verdade, restringe o grupo mencionado.

B) Incorreta. A oração não completa o sentido do adjunto adverbial, mas caracteriza o termo “áreas de difícil acesso”.

C) Incorreta. A oração não expressa condição para o uso de dados.

D) Correta. A oração “que não possuem conexão digital” restringe o sentido de “áreas de difícil acesso”, indicando que se trata especificamente das áreas sem conexão digital.

Questão: 10

Alternativa B.

A) Incorreta. Em “tornou a colocá-lo onde estava”, o objeto direto aparece representado pelo pronome “o”, sem preposição.

B) Correta. Em “Pega da bengala e dos jornais”, o verbo “pegar” apresenta complemento introduzido por preposição (“de”), mas essa preposição não é obrigatória na regência do verbo. Nesse contexto, há objeto direto preposicionado.

C) Incorreta. Em “põe-no cara a cara com o outro”, o pronome “no” exerce função de objeto direto sem preposição.

D) Incorreta. Em “foge progressivamente do seu rosto”, o termo introduzido por “de” completa o sentido do verbo “fugir”, funcionando como um complemento verbal preposicionado, e não como objeto direto preposicionado.

E) Incorreta. Em “dava-lhe um ar de sono”, o pronome “lhe” funciona como objeto indireto.

Questão: 11

Alternativa E.

A) Incorreta. A fragmentação sintática da fala não indica, por si só, distração ou poucos anos de escolaridade.

B) Incorreta. Apesar da estrutura fragmentada, o enunciado é interpretável e mantém coerência no contexto da conversa.

C) Incorreta. A fragmentação não revela necessariamente afeto ou amizade entre os participantes.

D) Incorreta. A estrutura apresentada não deve ser entendida como simples desconhecimento da norma-padrão, mas como característica própria da fala espontânea.

E) Correta. Na fala, o planejamento e a execução do discurso ocorrem ao mesmo tempo, o que pode gerar pausas, interrupções, reformulações e estruturas sintáticas fragmentadas.

Questão: 12

Alternativa D.

A) Incorreta. “É assim” retoma uma ideia anterior de modo mais amplo, mas não estabelece com “Os velhos papéis” uma interdependência referencial.

B) Incorreta. “Sobre o qual” retoma “um nome antigo”, e não “algo novo”.

C) Incorreta. “Por exemplo” introduz uma exemplificação, mas não retoma diretamente “um nome antigo”.

D) Correta. “O gigante do Brasil” refere-se a Pedro, informação retomada em “O Pedro mencionado”. Há, portanto, interdependência entre as expressões.

E) Incorreta. “O imperador Dom Pedro II” e “O bruxo do Cosme Velho” referem-se a pessoas diferentes: Dom Pedro II e Machado de Assis, respectivamente.


Fonte: Brasil Escola - https://exercicios.brasilescola.uol.com.br/exercicios-gramatica/exercicios-sobre-sintaxe.htm