Exercícios sobre função metalinguística

Resolva esta lista de exercícios sobre função metalinguística, que explora o uso da linguagem para explicar o próprio código e seus efeitos em textos verbais, literários e artísticos.

Publicado por: Guilherme Viana

Questões

  1. Questão 1

    As funções da linguagem correspondem:

    A) às regras gramaticais que determinam a formação correta das frases de uma língua.

    B) às diferentes finalidades que a linguagem pode assumir de acordo com o elemento da comunicação colocado em destaque.

    C) aos recursos utilizados exclusivamente para produzir textos literários e outros textos artísticos.

    D) às diferentes formas de organizar as palavras de acordo com sua classe gramatical.

    E) aos sentidos que uma mesma palavra pode apresentar dependendo do contexto em que é empregada.

  2. Questão 2

    A função metalinguística ocorre quando a comunicação coloca em destaque qual elemento da linguagem?

    A) O emissor.

    B) O receptor.

    C) O canal.

    D) O código.

    E) O referente.

  3. Questão 3

    Qual é o principal efeito da função metalinguística em um ato de comunicação?

    A) Explicar, analisar ou refletir sobre o próprio código utilizado na comunicação.

    B) Expressar emoções e opiniões pessoais de quem produz a mensagem.

    C) Estabelecer ou verificar se o contato entre os interlocutores está funcionando.

    D) Convencer o interlocutor a adotar determinado comportamento ou ponto de vista.

    E) Transmitir informações objetivas sobre acontecimentos e sobre elementos da realidade.

  4. Questão 4

    Qual situação apresenta um exemplo de metalinguagem em uma manifestação artística?

    A) Uma fotografia registra o movimento de pessoas em uma estação de trem.

    B) Uma canção narra o reencontro de dois amigos depois de muitos anos.

    C) Uma peça teatral apresenta conflitos entre integrantes de uma mesma família na própria casa.

    D) Uma escultura representa uma personagem importante da história de um país.

    E) Um filme mostra uma equipe produzindo um filme e discute as escolhas feitas durante as gravações.

  5. Questão 5

    Analise as situações a seguir e assinale a alternativa que mostra corretamente quais delas apresentam metalinguagem.

    I. Um desenhista produz uma tirinha mostrando as etapas que segue para criar suas próprias tirinhas.

    II. Um jornal publica uma reportagem sobre as chuvas previstas para o fim de semana.

    III. Um professor utiliza frases para explicar aos alunos como as frases são formadas.

    IV. Um cartaz informa o horário de funcionamento de uma biblioteca.

    Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

    A) I e II.

    B) I e III.

    C) II e III.

    D) III e IV.

    E) I e IV.

  6. Questão 6

    Um vídeo explica como cortes, transições e mudanças de enquadramento interferem na montagem de uma produção audiovisual. Ao mesmo tempo, o próprio vídeo utiliza esses recursos para demonstrar seu funcionamento. Nesse caso, a função metalinguística se caracteriza porque:

    A) o vídeo procura convencer o espectador a utilizar determinado programa de edição.

    B) a produção audiovisual utiliza seus próprios recursos para explicar aspectos da linguagem audiovisual.

    C) a principal finalidade do vídeo é expressar as emoções de quem realizou a edição.

    D) o vídeo transmite puramente informações sobre um acontecimento externo à linguagem audiovisual.

    E) os recursos de edição servem somente para manter aberto o contato com o espectador.

  7. Questão 7

    (Enem 2024)

    panela

    [Do lat. *pannella, dim. do lat. vulg. panna, ‘frigideira’.] Substantivo feminino.

    1. Vasilha de barro ou de metal destinada à cocção de alimentos.

    2. O conteúdo desse recipiente: Comeu uma panela de feijão.

    3. Fig. V. panelinha (1 a 4).

    4. Gír. Nádegas, traseiro.

    5. Bras. Cavidade subterrânea onde as formigas depositam suas larvas.

    PANELA. In: Novo Dicionário Eletrônico Aurélio, versão 5.0.

    Os verbetes constituem um conjunto de acepções, isto é, pequenas notas e apontamentos que compõem as entradas de um dicionário. Com base na leitura do verbete “panela”, vê-se que a função da linguagem predominante é a metalinguística, pois nele se

    A) discute uma concepção.

    B) apresenta um argumento.

    C) influencia o leitor.

    D) define um conceito.

    E) expõe um objeto.

  8. Questão 8

    (FCC 2018)

    De acordo com o linguista Roman Jakobson, praticamos a metalinguagem sem nos dar conta do caráter metalinguístico de nossas operações. Sempre que o remetente e/ou o destinatário têm necessidade de verificar se estão usando o mesmo código, o discurso focaliza o CÓDIGO; desempenha uma função metalinguística (isto é, de glosa).

    (JAKOBSON, Roman. Linguística e comunicação. São Paulo: Cultrix, s/d, p. 127)

    Levando em consideração o que propõe Jakobson, identifique o excerto que exemplifica o predomínio da metalinguagem. 

    A) – O sophomore foi ao pau.
    – Mas que quer dizer ir ao pau?
    – A mesma coisa que levar bomba.
    – E levar bomba?
    – Levar bomba é ser reprovado no exame.
    – E o que é sophomore?
    Insiste o interrogador ignorante do vocabulário escolar em inglês.
    – Um sophomore é (ou quer dizer) um estudante do segundo ano.

    B) – Bem – disse o rapaz.
    – Bem! – respondeu ela.
    – Bem, cá estamos – disse ele.
    – Cá estamos – confirmou ela, – não estamos?
    – Pois estamos mesmo – disse ele, – Upa! Cá estamos.
    – Bem! – disse ela.
    – Bem! – confirmou ele – bem!

    C) Siga corretamente o modo de usar. Em caso de dúvidas sobre este medicamento, procure orientação do farmacêutico. Não desaparecendo os sintomas, procure orientação de seu médico ou cirurgião-dentista. Este medicamento não deve ser partido, aberto ou mastigado.

    D) Mais de 17% dos lares são compostos por casais sem filhos, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas que moram sozinhas já representa 14,6% das residências, e a proporção de mulheres que vivem sem cônjuges com filhos já atinge quase 13%. Esses percentuais têm aumentado nos últimos anos, enquanto a quantidade de famílias tradicionais, com casal e filhos, já representa menos da metade das residências.

    E) Um dia, fui levar uma pessoa para ser internada no hospital. Eu tenho problemas de coluna, já a operei três vezes. Nesse dia estava tenso, preocupado e fiquei curvado durante quinze minutos, preenchendo uma ficha e conversando com a enfermeira. Na hora de sair, estava tortinho. Sabia que no dia seguinte teria de tomar anti-inflamatório, ansiolítico, etc.

  9. Questão 9

    (Uerj 2012)

    Texto “Recordações do escrivão Isaías Caminha” em questão da Uerj sobre função metalinguística.

    O texto de Lima Barreto explora o recurso da metalinguagem, ao comentar, na sua ficção, o próprio ato de compor uma ficção.

    Esse recurso está exemplificado principalmente em:

    A) São em geral de uma lastimável limitação de ideias, (l. 2-3)

    B) Vivo aqui só, isto é, sem relações intelectuais de qualquer ordem. (l. 17-18)

    C) — Vem dormir, Isaías! Deixa esse relatório para amanhã! (l. 24]

    D) Já por duas vezes, tentei escrever; mas, relendo a página, achei-a incolor, comum, (l. 38-39)

  10. Questão 10

    (Enem 2017)

    TEXTO I

    Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa nas obras dos grandes escritores, em cuja linguagem as classes ilustradas põem o seu ideal de perfeição, porque nela é que se espelha o que o uso idiomático estabilizou e consagrou.

    LIMA, C. H. R. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.

    TEXTO II

    Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie — nem sequer mental ou de sonho —, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

    PESSOA, F. O livro do desassossego. São Paulo: Brasiliense, 1986.

    A linguagem cumpre diferentes funções no processo de comunicação. A função que predomina nos textos I e II

    A) destaca o “como” se elabora a mensagem, considerando-se a seleção, combinação e sonoridade do texto.

    B) coloca o foco no “com o quê” se constrói a mensagem, sendo o código utilizado o seu próprio objeto.

    C) focaliza o “quem” produz a mensagem, mostrando seu posicionamento e suas impressões pessoais.

    D) orienta-se no “para quem” se dirige a mensagem, estimulando a mudança de seu comportamento.

    E) enfatiza sobre “o quê” versa a mensagem, apresentada com palavras precisas e objetivas.

  11. Questão 11

    (Enem 2013)

    rapariga: s,f„ fem. de rapaz:: mulher nova' moça; menina; (Brasil), meretriz.

    Escrevo um poema sobre a rapariga que esta sentada no café. em frente da chavena de café, enquanto alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este poema sobre essa rapariga porque, no Brasil, a palavra rapariga não quer dizer o que ela diz em Portugal. Então, terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café, a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga que alisa os cabelos com a mão, num café de Lisboa, não fique estragada para sempre quando este poema atravessar o atlântico para desembarcar no rio de janeiro. E isto tudo sem pensar em África, porque aí lá terei de escrever sobre a moca do café, pare evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é uma palavra que já me está a pôr com dores de cabeça até porque, no mundo, a única coisa que eu queria era escrever um poema sobre a rapariga do café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se pode sentar à mesa porque só servem café ao balcão.

    O texto traz em relevo as funções metalinguística e poética. Seu caráter metalinguístico justifica-se pela

    A) discussão da dificuldade de se fazer arte inovadora no mundo contemporâneo

    B) defesa do movimento artístico da pós-modernidade, típico do século XX.

    C) abordagem de temas do cotidiano, em que a arte se volta para assuntos rotineiros.

    D) tematização do fazer artístico, pela discussão do ato de construção da própria obra.

    E) valorização do efeito do estranhamento causado no público, o que faz a obra ser reconhecida.

  12. Questão 12

    (Enem 2011)

    Não tem tradução

    [...]

    Lá no morro, seu eu fizer uma falseta
    A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês

    A gíria que o nosso morro criou
    Bem cedo a cidade aceitou e usou

    [...]

    Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
    Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
    Tudo aquilo que o malandro pronuncia
    Com voz macia é brasileiro, já passou de português

    Amor lá no morro é amor pra chuchu
    As rimas do samba não são I love you
    E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
    Só pode ser conversa de telefone.

    ROSA, N. In: SOBRAL, João. J. V. A tradução dos bambas. Revista Língua Portuguesa. Ano 4, nº 54. São Paulo: Segmento, abr. 2010 (fragmento).

    As canções de Noel Rosa, compositor brasileiro de Vila Isabel, apesar de revelarem uma aguçada preocupação do artista com seu tempo e com as mudanças político- culturais no Brasil, no início dos anos 1920, ainda são modernas. Nesse fragmento do samba Não tem tradução, por meio do recurso da metalinguagem, o poeta propõe

    A) incorporar novos costumes de origem francesa e americana, juntamente com vocábulos estrangeiros.

    B) respeitar e preservar o português padrão como ® forma de fortalecimento do idioma do Brasil.

    C) valorizar a fala popular brasileira como patrimônio linguístico e forma legítima de identidade nacional.

    D) mudar os valores sociais vigentes à época, com o advento do novo e quente ritmo da música popular brasileira.

    E) ironizar a malandragem carioca, aculturada pela invasão de valores étnicos de sociedades mais desenvolvidas.