Exercícios sobre fases do Romantismo

Resolva esta lista de exercícios sobre fases do Romantismo, analisando as características de cada uma com obras publicadas no período.

Publicado por: Guilherme Viana

Questões

  1. Questão 1

    Assinale a alternativa que melhor expressa uma característica geral do Romantismo.

    A) Busca de imparcialidade e de redução da expressividade no texto.

    B) Subjetivismo e sentimentalismo, com idealização e com fuga da realidade.

    C) Preferência por linguagem técnica e por termos científicos.

    D) Descrição neutra do mundo, evitando revelar a visão do eu lírico.

    E) Valorização do racionalismo e do equilíbrio clássico como regra.

  2. Questão 2

    O Romantismo relaciona-se ao contexto da Revolução Francesa especialmente por valorizar:

    A) a defesa do absolutismo e da aristocracia.

    B) a negação do sentimento nacionalista em toda a Europa.

    C) a neutralidade política e a impessoalidade artística.

    D) a liberdade de pensamento, de comportamento e de expressão.

    E) o desprezo pela burguesia e pelos seus costumes como regra.

  3. Questão 3

    (Cepros 2018) O Romantismo brasileiro se distinguiu, em relação a outros períodos da literatura nacional, pois:

    A) fugia, em seus folhetins, comuns na época, ao interesse pelo romance urbano e às críticas à sociedade da época.

    B) defendia o nacionalismo, inclusivamente na valorização da natureza, da cultura e da língua portuguesa em uso no Brasil.

    C) desvalorizou a opção pelo romance regionalista, o qual preferia tramas, cenários e personagens próprios de diferentes regiões.

    D) afirmava a superioridade da observação de aspectos objetivos da realidade, descartando, então, as impressões subjetivas.

    E) foi influenciado pelo determinismo social, segundo o qual o ser humano – em ações, personalidade e condições de vida – seria produto do meio social.

  4. Questão 4

    No Romantismo brasileiro, a primeira geração é caracterizada principalmente por:

    A) defesa da crítica sociopolítica e denúncia de injustiças.

    B) pessimismo, morbidez e valorização da melancolia.

    C) nacionalismo e valorização do indígena e da natureza.

    D) retrato objetivo e realista da vida cotidiana, sem idealização.

    E) prioridade do humor e da ironia como marcas centrais do estilo.

  5. Questão 5

    A segunda geração do Romantismo brasileiro é marcada sobretudo por:

    A) nacionalismo indianista e heroísmo histórico.

    B) sentimentalismo exagerado, melancolia e pessimismo.

    C) crítica social e menor idealização da realidade.

    D) análise coletiva e social e forte cientificismo.

    E) racionalidade e equilíbrio formal como prioridade estética.

  6. Questão 6

    A terceira e última geração do Romantismo brasileiro caracteriza-se por:

    A) humor e ironia como núcleo do estilo.

    B) retorno ao racionalismo clássico e equilíbrio formal.

    C) sentimentalismo pessimista e fuga da realidade.

    D) indianismo e nacionalismo histórico.

    E) crítica sociopolítica e visão menos idealizada da realidade.

  7. Questão 7

    Considerando as características da geração indianista do Romantismo brasileiro, assinale a alternativa que apresenta um trecho representativo dessa fase:

    A) Os lábios vermelhos e úmidos pareciam uma flor da gardênia dos nossos campos, orvalhada pelo sereno da noite; o hálito doce e ligeiro exalava-se formando um sorriso. [...] Tinha sobre o vestido branco de cassa um ligeiro saiote de riço azul apanhado à cintura por um broche; uma espécie de arminho cor de pérola, feito com a penugem macia de certas aves, orlava o talho e as mangas [...]. Esta moça era Cecília.

    B) Não! Não eram dois povos, que abalavam
    Naquele instante o solo ensanguentado...
    Era o porvir—em frente do passado,
    A Liberdade—em frente à Escravidão,
    Era a luta das águias — e do abutre,
    A revolta do pulso—contra os ferros,
    O pugilato da razão — com os erros,
    O duelo da treva—e do clarão!...

    C) Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
    Não levo da existência uma saudade!
    E tanta vida que meu peito enchia
    Morreu na minha triste mocidade!

    D) Se chamas o amor a troca de duas temperaturas, o aperto de dois sexos, a convulsão de dois peitos que arquejam, o beijo de duas bocas que tremem, de duas vidas que se fundem tenho amado muito e sempre! Se chamas o amor o sentimento casto e poro que faz cismar o pensativo, que faz chorar o amante na relva onde passou a beleza, que adivinha o perfume dela na brisa, que pergunta às aves, à manhã, à noite, às harmonias da música, que melodia é mais doce que sua voz, e ao seu coração, que formosura há mais divina que a dela — eu nunca amei.

    E) Quebrei a cr’oa de espinho,
    Que a minha fronte sangrou:
    Como a serpe ocupa o ninho
    Que o pássaro abandonou,
    Jaz em meu peito o desgosto...
    Do abismo lava-me o rosto
    A onda crepuscular; [...]

  8. Questão 8

    Considerando as características da geração ultrarromântica do Romantismo brasileiro, assinale a alternativa que apresenta um trecho representativo dessa fase:

    A) A moça recostara-se em uma cadeira de balanço no claro de uma janela, de modo que seu gracioso vulto imergia-se na plena luz. Ao vê-la radiante de beleza e risos, se acreditara que ela de propósito afrontava o esplendor do dia, para ostentar a pureza imaculada de seu rosto e sua graça inalterável.

    B) Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
    Já solta o bogari mais doce aroma!
    Como prece de amor, como estas preces,
    No silêncio da noite o bosque exala.

    C) Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
    Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
    Embuçado nos céus?
    Há dois mil anos te mandei meu grito,
    Que embalde desde então corre o infinito...
    Onde estás, Senhor Deus?...

    D) Lá na úmida senzala,
    Sentado na estreita sala,
    Junto ao braseiro, no chão,
    Entoa o escravo o seu canto,
    E ao cantar correm-lhe em pranto
    Saudades do seu torrão ...

    E) Uma lâmpada estava acesa no quarto defronte de um painel. Ergueu o lençol que o cobria. Era Laura moribunda! E eu macilento como ela tremia como um condenado. A moça com seus lábios pálidos murmurava no meu ouvido… Eu tremi de ver meu semblante tão lívido na tela e lembrei-me que naquele dia ao sair do quarto da morta, no espelho dela que estava ainda pendurado a janela, eu me horrorizara de ver-me cadavérico… Um tremor, um calafrio se apoderou de mim. Ajoelhei-me, e chorei lágrimas ardentes.

  9. Questão 9

    Considerando as características da geração condoreira do Romantismo brasileiro, assinale a alternativa que apresenta um trecho representativo dessa fase:

    A) Mas essa dor da vida que devora
    A ânsia de glória, o doloroso afã...
    A dor no peito emudecera ao menos
    Se eu morresse amanhã!

    B) República!... Vôo ousado
    Do homem feito condor!
    Raio de aurora inda oculta
    Que beija a fronte ao Tabor!

    C) Um embaraço imprevisto, causado por duas gôndolas, tinha feito parar o carro. A moça ouvia-me; voltou ligeiramente a cabeça para olhar-me, e sorriu. Qual é a mulher bonita que não sorri a um elogio espontâneo e a um grito ingênuo de admiração? Se não sorri nos lábios, sorri no coração.

    D) Meu canto de morte,
    Guerreiros, ouvi:
    Sou filho das selvas,
    Nas selvas cresci;
    Guerreiros, descendo
    Da tribo Tupi.

    E) — E não tens medo? Olha! é a morte que vem! é a vida que crepúscula em minha fronte. Não vês esse arrepio entre minhas sobrancelhas?...
    — E que me importa o sonho da morte? Meu porvir amanhã seria terrível: e à cabeça apodrecida do cadáver não ressoam lembranças; seus lábios gruda‑os a morte; a campa é silenciosa. Morrerei!

  10. Questão 10

    (Enem)

    Leito de folhas verdes

    Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
    Correm perfumes no correr da brisa,
    A cujo influxo mágico respira-se
    Um quebranto de amor, melhor que a vida!

    A flor que desabrocha ao romper d’alva
    Um só giro do sol, não mais, vegeta:
    Eu sou aquela flor que espero ainda
    Doce raio do sol que me dê vida.

    DIAS, G. Antologia poética. Rio de Janeiro: Agir, 1979 (fragmento).

    Na perspectiva do Romantismo, a representação feminina espelha concepções expressas no poema pela

    A) reprodução de estereótipos sociais e de gênero.

    B) presença de traços marcadores de nacionalidade.

    C) sublimação do desejo por meio da espiritualização.

    D) correlação feita entre estados emocionais e natureza.

    E) mudança de paradigmas relacionados à sensibilidade.

  11. Questão 11

    (UEG)

    Pintura de Johannes Vermeer em exercício da UEG sobre fases do romantismo.

    VERMEER, Johannes. La Latière vers (1660). In. Beaux Arts & hors - série Vermeer et les maîtres de la peinture hollandaise. Paris, 2017. p. 43. Acesso em: 12 mar. 2019.

    Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.

    O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque seu hálito perfumado.

    Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

    ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 15.

    Relativamente ao modo como as personagens femininas são vislumbradas e construídas, tanto na pintura de Vermeer quanto no romance de Alencar, tem-se o seguinte:

    A) a pintura apresenta um retrato realista de mulher, ao passo que o excerto retrata uma mulher de modo idealizado.

    B) a pintura apresenta um retrato idealizado de mulher, ao passo que o excerto retrata uma mulher de mo) do realista.

    C) tanto na pintura quanto no fragmento, há o retrato de mulheres retratadas de modo realístico.

    D) tanto o excerto quanto o fragmento revelam traços que entreveem poéticas modernistas.

    E) tanto na pintura quanto no fragmento, há o retrato de mulheres idealizadas.

  12. Questão 12

    (Enem)

    — Vejo, disse ele com algum acanhamento, que o doutor não é nenhum pé-rapado, mas nunca é bom facilitar... Minha filha Nocência fez 18 anos pelo Natal, e é rapariga que pela feição parece moça de cidade, muito ariscazinha de modos, mas bonita e boa deveras... Coitada, foi criada sem mãe, e aqui nestes fundões. [...]

    — Ora muito que bem, continuou Pereira caindo aos poucos na habitual garrulice, quando vi a menina tomar corpo, tratei logo de casá-la.

    — Ah! é casada? perguntou Cirino.

    — Isto é, é e não é. A coisa está apalavrada. Por aqui costuma labutar no costeio do gado para São Paulo um homem de mão-cheia, que talvez o sr. conheça... o Manecão Doca...

    — Não, respondeu Cirino abanando a cabeça.

    — Pois isso é um homem às direitas, desempenado e trabucador como ele só... fura estes sertões todos e vem tangendo pontes de gado que metem pasmo. Também dizem que tem bichado muito e ajuntado cobre grosso, o que é possível, porque não é gastador nem dado a mulheres. Uma feita que estava aqui de pousada... olhe, mesmo neste lugar onde estava mecê inda agorinha, falei-lhe em casamento... isto é, dei-lhe uns toques... porque os pais devem tomar isso a si para bem de suas famílias; não acha?

    — Boa dúvida, aprovou Cirino, dou-lhe toda a razão; era do seu dever.

    TAUNAY, A. d’E. Inocência. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 29 fev. 2024.

    Nesse trecho, ao se referir à sua filha, o pai de Inocência reproduz os ideais românticos, presentes na

    A) valorização do ambiente rural na formação moral da mulher.

    B) figura decorativa da mulher ante o protagonismo masculino.

    C) equivalência de origem social para a harmonia do casal.

    D) importância do dote como condição para o casamento.

    E) aura de mistério sobre a identidade da jovem.