Exercícios sobre fases do Romantismo
Resolva esta lista de exercícios sobre fases do Romantismo, analisando as características de cada uma com obras publicadas no período.
Publicado por: Guilherme VianaQuestões
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Questão 1
Assinale a alternativa que melhor expressa uma característica geral do Romantismo.
A) Busca de imparcialidade e de redução da expressividade no texto.
B) Subjetivismo e sentimentalismo, com idealização e com fuga da realidade.
C) Preferência por linguagem técnica e por termos científicos.
D) Descrição neutra do mundo, evitando revelar a visão do eu lírico.
E) Valorização do racionalismo e do equilíbrio clássico como regra.
Alternativa B.
A alternativa B está certa, pois o Romantismo caracteriza-se pelo subjetivismo e pelo excesso sentimental, além de recorrer com frequência à idealização (do amor, da mulher, da vida) e à fuga da realidade.
As alternativas A e D estão erradas, pois o Romantismo não busca imparcialidade: ele valoriza a expressão subjetiva, emotiva e pessoal, com presença marcada do “eu” e de sentimentos.
A alternativa C e E estão erradas, pois linguagem técnica, cientificismo, valorização do racionalismo e do equilíbrio clássico não são traços românticos, que buscavam a expressão dos sentimentos e a idealização.
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Questão 2
O Romantismo relaciona-se ao contexto da Revolução Francesa especialmente por valorizar:
A) a defesa do absolutismo e da aristocracia.
B) a negação do sentimento nacionalista em toda a Europa.
C) a neutralidade política e a impessoalidade artística.
D) a liberdade de pensamento, de comportamento e de expressão.
E) o desprezo pela burguesia e pelos seus costumes como regra.
Alternativa D.
A alternativa D está certa, pois o lema revolucionário e o clima de ruptura inspiraram a valorização da liberdade de pensar, de agir e de se expressar, algo que aparece como princípio importante na estética romântica.
A alternativa A está errada, pois a Revolução Francesa marcou a decadência da aristocracia, e não a defesa do absolutismo.
A alternativa B está errada, pois, ao contrário de “negar” o nacionalismo, o contexto pós-revolucionário e as invasões napoleônicas contribuíram para fortalecer sentimentos de nacionalidade.
A alternativa C está errada, pois o Romantismo não prioriza neutralidade e impessoalidade, e sim a subjetividade e a expressão de emoções e de posicionamentos.
A alternativa E está errada, pois o Romantismo está atrelado à classe burguesa, já que reflete seus ideais e seus costumes, não se tratando de desprezo sistemático pela burguesia.
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Questão 3
(Cepros 2018) O Romantismo brasileiro se distinguiu, em relação a outros períodos da literatura nacional, pois:
A) fugia, em seus folhetins, comuns na época, ao interesse pelo romance urbano e às críticas à sociedade da época.
B) defendia o nacionalismo, inclusivamente na valorização da natureza, da cultura e da língua portuguesa em uso no Brasil.
C) desvalorizou a opção pelo romance regionalista, o qual preferia tramas, cenários e personagens próprios de diferentes regiões.
D) afirmava a superioridade da observação de aspectos objetivos da realidade, descartando, então, as impressões subjetivas.
E) foi influenciado pelo determinismo social, segundo o qual o ser humano – em ações, personalidade e condições de vida – seria produto do meio social.
Alternativa B.
A alternativa B está certa, pois o Romantismo brasileiro destacou-se pelo nacionalismo, especialmente na primeira geração, valorizando a natureza e elementos culturais do país, além de buscar a construção de uma identidade literária ligada ao Brasil.
A alternativa A está errada, pois o Romantismo brasileiro não fugiu do romance urbano: ao contrário, o período consolidou romances urbanos e romances regionalistas, além do romance indianista.
A alternativa C está errada, pois o Romantismo não desvalorizou o romance regionalista: esse tipo de romance faz parte da prosa romântica e explora costumes, personagens e cenários do interior.
A alternativa D está errada, pois o Romantismo privilegia a subjetividade, as emoções e a idealização, em vez da observação objetiva da realidade.
A alternativa E está errada, pois determinismo social é uma ideia associada a correntes posteriores (como o Naturalismo), não sendo uma marca do Romantismo brasileiro.
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Questão 4
No Romantismo brasileiro, a primeira geração é caracterizada principalmente por:
A) defesa da crítica sociopolítica e denúncia de injustiças.
B) pessimismo, morbidez e valorização da melancolia.
C) nacionalismo e valorização do indígena e da natureza.
D) retrato objetivo e realista da vida cotidiana, sem idealização.
E) prioridade do humor e da ironia como marcas centrais do estilo.
Alternativa C.
A alternativa C está certa, pois a primeira geração do Romantismo brasileiro é marcada por forte nacionalismo, com valorização do indígena e da natureza como elementos centrais na construção da identidade brasileira.
As alternativas A e B estão erradas, pois apresentam características das outras gerações românticas.
As alternativas D e E estão erradas, pois apresentam características de outros movimentos e obras literárias, mas não necessariamente do Romantismo.
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Questão 5
A segunda geração do Romantismo brasileiro é marcada sobretudo por:
A) nacionalismo indianista e heroísmo histórico.
B) sentimentalismo exagerado, melancolia e pessimismo.
C) crítica social e menor idealização da realidade.
D) análise coletiva e social e forte cientificismo.
E) racionalidade e equilíbrio formal como prioridade estética.
Alternativa B.
A alternativa B está certa, pois a segunda geração do Romantismo brasileiro destaca-se pelo sentimentalismo exagerado, pela melancolia e pelo pessimismo, com forte tom subjetivo e intimista, além de teor mórbido frequente nas obras dessa geração.
As alternativas A e C estão erradas, pois citam características presentes em outras gerações românticas, em vez da segunda geração especificamente.
As alternativas D e E estão erradas, pois citam características típicas de movimentos posteriores ao Romantismo (como o Realismo e o Naturalismo).
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Questão 6
A terceira e última geração do Romantismo brasileiro caracteriza-se por:
A) humor e ironia como núcleo do estilo.
B) retorno ao racionalismo clássico e equilíbrio formal.
C) sentimentalismo pessimista e fuga da realidade.
D) indianismo e nacionalismo histórico.
E) crítica sociopolítica e visão menos idealizada da realidade.
Alternativa E.
A alternativa E está certa, pois a terceira geração do Romantismo brasileiro destaca-se pela crítica sociopolítica, com abordagem mais ligada a problemas sociais, principalmente relacionados à mão de obra escravizada no Brasil, e com uma visão menos idealizada da realidade.
As alternativas A e B estão erradas, pois citam características que não são típicas das obras românticas, referindo-se a outros contextos e movimentos literários.
As alternativas C e D estão erradas, pois citam características de outras gerações do Romantismo, mas não da terceira geração.
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Questão 7
Considerando as características da geração indianista do Romantismo brasileiro, assinale a alternativa que apresenta um trecho representativo dessa fase:
A) Os lábios vermelhos e úmidos pareciam uma flor da gardênia dos nossos campos, orvalhada pelo sereno da noite; o hálito doce e ligeiro exalava-se formando um sorriso. [...] Tinha sobre o vestido branco de cassa um ligeiro saiote de riço azul apanhado à cintura por um broche; uma espécie de arminho cor de pérola, feito com a penugem macia de certas aves, orlava o talho e as mangas [...]. Esta moça era Cecília.
B) Não! Não eram dois povos, que abalavam
Naquele instante o solo ensanguentado...
Era o porvir—em frente do passado,
A Liberdade—em frente à Escravidão,
Era a luta das águias — e do abutre,
A revolta do pulso—contra os ferros,
O pugilato da razão — com os erros,
O duelo da treva—e do clarão!...C) Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!D) Se chamas o amor a troca de duas temperaturas, o aperto de dois sexos, a convulsão de dois peitos que arquejam, o beijo de duas bocas que tremem, de duas vidas que se fundem tenho amado muito e sempre! Se chamas o amor o sentimento casto e poro que faz cismar o pensativo, que faz chorar o amante na relva onde passou a beleza, que adivinha o perfume dela na brisa, que pergunta às aves, à manhã, à noite, às harmonias da música, que melodia é mais doce que sua voz, e ao seu coração, que formosura há mais divina que a dela — eu nunca amei.
E) Quebrei a cr’oa de espinho,
Que a minha fronte sangrou:
Como a serpe ocupa o ninho
Que o pássaro abandonou,
Jaz em meu peito o desgosto...
Do abismo lava-me o rosto
A onda crepuscular; [...]Alternativa A.
A alternativa A está certa, pois apresenta idealização e adjetivação intensa na descrição da personagem feminina (“lábios vermelhos e úmidos”, “hálito doce”), além de comparações com a natureza local (“flor de gardênia”, “penugem macia de certas aves”). Esse modo de representar personagens (especialmente a figura feminina) com tom elevado e com beleza quase “mítica”, associado à valorização do cenário natural brasileiro é compatível com a primeira geração do Romantismo brasileiro.
A alternativa B está errada, pois o trecho é de combate social, com oposição explícita (“Liberdade”, “Escravidão”), tom oratório e denúncia. Isso alinha-se à terceira geração.
A alternativa C está errada, pois expressa melancolia, desalento e frustração (“eu pranteio e morro”), conjunto típico da segunda geração.
A alternativa D está errada, pois faz uma reflexão intensa e contrastiva sobre o amor, com vocabulário exaltado e com foco na experiência subjetiva e sensorial. Essa exploração do amor como absoluto e, ao mesmo tempo, tormento interior é mais característica da segunda geração.
A alternativa E está errada, pois privilegia um eu lírico em dor íntima, com imagens de sofrimento (“coroa de espinho”, “fronte sangrou”), em um tom confessional e emotivo, com forte intensidade imagética e tom declamatório, característico da terceira geração.
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Questão 8
Considerando as características da geração ultrarromântica do Romantismo brasileiro, assinale a alternativa que apresenta um trecho representativo dessa fase:
A) A moça recostara-se em uma cadeira de balanço no claro de uma janela, de modo que seu gracioso vulto imergia-se na plena luz. Ao vê-la radiante de beleza e risos, se acreditara que ela de propósito afrontava o esplendor do dia, para ostentar a pureza imaculada de seu rosto e sua graça inalterável.
B) Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.C) Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...D) Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão ...E) Uma lâmpada estava acesa no quarto defronte de um painel. Ergueu o lençol que o cobria. Era Laura moribunda! E eu macilento como ela tremia como um condenado. A moça com seus lábios pálidos murmurava no meu ouvido… Eu tremi de ver meu semblante tão lívido na tela e lembrei-me que naquele dia ao sair do quarto da morta, no espelho dela que estava ainda pendurado a janela, eu me horrorizara de ver-me cadavérico… Um tremor, um calafrio se apoderou de mim. Ajoelhei-me, e chorei lágrimas ardentes.
Alternativa E.
A alternativa E está certa, pois é marcada por morbidez, por imagens noturnas e por proximidade com a morte e com o sofrimento intenso do eu lírico (“moribunda”, “cadavérico”, “chorei lágrimas ardentes”), elementos representativos da segunda geração do Romantismo brasileiro.
A alternativa A está errada, pois traz idealização da mulher com foco na beleza, na pureza e na descrição luminosa, frequente no Romantismo em geral e, nesse caso, típico da primeira geração.
A alternativa B está errada, pois apresenta um tom bucólico e contemplativo, ligado à natureza e à atmosfera amorosa serena. Esse lirismo descritivo aproxima-se da primeira geração.
A alternativa C está errada, pois o trecho apresenta um grito dramático e religioso, com tom de clamor. Embora seja emotivo, o tom é declamatório, típico de uma poesia grandiloquente e pública, aproximando-se dos traços marcantes da terceira geração.
A alternativa D está errada, pois tematiza a escravidão com apelo emocional e com enfoque social (“senzala”, “o escravo”, “saudades do seu torrão”), alinhando-se à terceira geração.
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Questão 9
Considerando as características da geração condoreira do Romantismo brasileiro, assinale a alternativa que apresenta um trecho representativo dessa fase:
A) Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o doloroso afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!B) República!... Vôo ousado
Do homem feito condor!
Raio de aurora inda oculta
Que beija a fronte ao Tabor!C) Um embaraço imprevisto, causado por duas gôndolas, tinha feito parar o carro. A moça ouvia-me; voltou ligeiramente a cabeça para olhar-me, e sorriu. Qual é a mulher bonita que não sorri a um elogio espontâneo e a um grito ingênuo de admiração? Se não sorri nos lábios, sorri no coração.
D) Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo Tupi.E) — E não tens medo? Olha! é a morte que vem! é a vida que crepúscula em minha fronte. Não vês esse arrepio entre minhas sobrancelhas?...
— E que me importa o sonho da morte? Meu porvir amanhã seria terrível: e à cabeça apodrecida do cadáver não ressoam lembranças; seus lábios gruda‑os a morte; a campa é silenciosa. Morrerei!Alternativa B.
A alternativa B está certa, pois mobiliza linguagem oratória e grandiloquente, com imagens elevadas (“condor”, “raio de aurora”) e com referência a tema político e social (“República!”). Esse tom discursivo e a ideia de transformação coletiva são característicos da terceira geração do Romantismo brasileiro.
A alternativa A está errada, pois enfatiza a dor existencial, o desalento e a vontade de morrer (“Se eu morresse amanhã!”), traços típicos da segunda geração.
A alternativa C está errada, pois descreve uma cena com foco em costumes e relações sociais, além da idealização feminina, aproximando-se do romance urbano romântico da primeira geração.
A alternativa D está errada, pois traz marca forte de indianismo e exaltação do sujeito ligado às “selvas” e à “tribo Tupi”, o que se alinha à primeira geração.
A alternativa E está errada, pois é dominada por imagens de morte, por pessimismo e por tom sombrio (“crepúscula”, “arrepio”, “cabeça apodrecida do cadáver”), características centrais da segunda geração.
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Questão 10
(Enem)
Leito de folhas verdes
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.DIAS, G. Antologia poética. Rio de Janeiro: Agir, 1979 (fragmento).
Na perspectiva do Romantismo, a representação feminina espelha concepções expressas no poema pela
A) reprodução de estereótipos sociais e de gênero.
B) presença de traços marcadores de nacionalidade.
C) sublimação do desejo por meio da espiritualização.
D) correlação feita entre estados emocionais e natureza.
E) mudança de paradigmas relacionados à sensibilidade.
Alternativa D.
A alternativa D está certa, pois o poema correlaciona diretamente estados emocionais (“quebranto de amor”, “espero ainda”) e elementos da natureza (“lua”, “estrelas”, “brisa”, “flor que desabrocha”). Essa associação entre sentimento e paisagem é um traço muito característico do lirismo romântico.
A alternativa A está errada, pois o foco do poema não é criticar ou reproduzir papéis sociais de forma explícita, e sim construir uma imagem lírica em que sentimentos amorosos aparecem associados à paisagem de maneira idealizada.
A alternativa B está errada, pois, embora o Romantismo tenha nacionalismo como traço importante, o fragmento não enfatiza marcas claras de identidade nacional. O destaque está no lirismo amoroso e na natureza (que não é, nesse caso, atrelada à identidade nacional especificamente).
A alternativa C está errada, pois o poema não apresenta a ideia de “espiritualizar” o desejo para sublimá-lo: o eu lírico expressa um quebranto de amor e uma espera afetiva, sem transformar isso em discurso moral-religioso.
A alternativa E está errada, pois, apesar de o poema valorizar a sensibilidade, ele não explicita nenhuma “mudança de paradigmas”. O que se observa nele é a ligação entre emoção e natureza.
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Questão 11
(UEG)

VERMEER, Johannes. La Latière vers (1660). In. Beaux Arts & hors - série Vermeer et les maîtres de la peinture hollandaise. Paris, 2017. p. 43. Acesso em: 12 mar. 2019.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 15.
Relativamente ao modo como as personagens femininas são vislumbradas e construídas, tanto na pintura de Vermeer quanto no romance de Alencar, tem-se o seguinte:
A) a pintura apresenta um retrato realista de mulher, ao passo que o excerto retrata uma mulher de modo idealizado.
B) a pintura apresenta um retrato idealizado de mulher, ao passo que o excerto retrata uma mulher de mo) do realista.
C) tanto na pintura quanto no fragmento, há o retrato de mulheres retratadas de modo realístico.
D) tanto o excerto quanto o fragmento revelam traços que entreveem poéticas modernistas.
E) tanto na pintura quanto no fragmento, há o retrato de mulheres idealizadas.
Alternativa A.
A alternativa A está certa, pois a pintura de Vermeer representa uma mulher em cena cotidiana, com atenção a um gesto comum, a um ambiente doméstico e a detalhes concretos, resultando em um retrato de efeito realista. Já o excerto de Iracema descreve a personagem por meio de comparações hiperbólicas e de metáforas idealizantes (“lábios de mel”, “mais negros que a asa da graúna”), típico de uma construção idealizada do romantismo.
A alternativa B está errada, pois inverte a lógica: em Vermeer, não há idealização heroica ou perfeição poética; há naturalidade e observação do cotidiano. No texto de Alencar, por sua vez, a linguagem idealiza o retrato feito da personagem.
A alternativa C está errada, pois apenas a pintura aproxima-se de um efeito realista; o fragmento de Iracema não descreve de modo neutro nem objetivo a personagem, mas a partir de uma exaltação lírica e superlativização da beleza e da graça da personagem.
A alternativa D está errada, pois nem a pintura nem o trecho romântico apontam para “poéticas modernistas”. No excerto, há marcas fortes do Romantismo (idealização, natureza, linguagem figurada), e a pintura ancora-se na observação do cotidiano, e não em experimentações modernistas.
A alternativa E está errada, pois só o fragmento literário constrói uma figura feminina idealizada. Na pintura, a personagem é representada de modo concreto, em atividade comum, sem a elevação mítica e sem as comparações superlativas típicas da idealização romântica.
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Questão 12
(Enem)
— Vejo, disse ele com algum acanhamento, que o doutor não é nenhum pé-rapado, mas nunca é bom facilitar... Minha filha Nocência fez 18 anos pelo Natal, e é rapariga que pela feição parece moça de cidade, muito ariscazinha de modos, mas bonita e boa deveras... Coitada, foi criada sem mãe, e aqui nestes fundões. [...]
— Ora muito que bem, continuou Pereira caindo aos poucos na habitual garrulice, quando vi a menina tomar corpo, tratei logo de casá-la.
— Ah! é casada? perguntou Cirino.
— Isto é, é e não é. A coisa está apalavrada. Por aqui costuma labutar no costeio do gado para São Paulo um homem de mão-cheia, que talvez o sr. conheça... o Manecão Doca...
— Não, respondeu Cirino abanando a cabeça.
— Pois isso é um homem às direitas, desempenado e trabucador como ele só... fura estes sertões todos e vem tangendo pontes de gado que metem pasmo. Também dizem que tem bichado muito e ajuntado cobre grosso, o que é possível, porque não é gastador nem dado a mulheres. Uma feita que estava aqui de pousada... olhe, mesmo neste lugar onde estava mecê inda agorinha, falei-lhe em casamento... isto é, dei-lhe uns toques... porque os pais devem tomar isso a si para bem de suas famílias; não acha?
— Boa dúvida, aprovou Cirino, dou-lhe toda a razão; era do seu dever.
TAUNAY, A. d’E. Inocência. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 29 fev. 2024.
Nesse trecho, ao se referir à sua filha, o pai de Inocência reproduz os ideais românticos, presentes na
A) valorização do ambiente rural na formação moral da mulher.
B) figura decorativa da mulher ante o protagonismo masculino.
C) equivalência de origem social para a harmonia do casal.
D) importância do dote como condição para o casamento.
E) aura de mistério sobre a identidade da jovem.
Alternativa b.
A alternativa B está certa, pois o pai descreve a filha como um objeto de avaliação e de negociação, enquanto o protagonismo está com os homens, sejam eles pais (“quando vi a menina tomar corpo, tratei logo de casá-la”), sejam eles pretendentes. O papel da mulher aparece reduzido a atributos (“bonita e boa deveras”, “ariscazinha de modos”) e a um destino decidido por terceiros, visão compatível com o ideal romântico conservador, em que a mulher é frequentemente situada como figura a ser conduzida (e não como agente).
A alternativa A está errada, pois o trecho não idealiza o campo como formador moral em termos românticos, o que é traduzido pela primeira fala do pai (“Coitada, foi criada [...] aqui nestes fundões.”). Assim, o sentimento é mais de isolamento e de circunstância do que de exaltação do espaço rural.
A alternativa C está errada, pois não há defesa de “equivalência de origem social” para harmonia do casal no trecho. O argumento do pai para o casamento é a conveniência e o perfil de homem (“mão-cheia”, “às direitas”, trabalhador e com dinheiro), não a igualdade social entre os noivos.
A alternativa D está errada, pois o contexto não menciona dote de casamento nem coloca isso como condição de matrimônio. Fala-se em ser “cobre grosso” (ter dinheiro) e “não ser gastador”, mas como traço do pretendente, e não como exigência de dote para casamento.
A alternativa E está errada, pois não se cria aura de mistério sobre a identidade da jovem: o pai a apresenta, informa idade e traços. O trecho constrói o controle e arranjo matrimonial, e não um mistério.