Exercícios sobre gêneros textuais do cotidiano
Os exercícios sobre gêneros textuais do cotidiano nos mostrarão as principais características dos textos mais acessados em nosso dia a dia.
Publicado por: Luana Castro Alves PerezQuestões
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Questão 1
Os dias lindos
Acontece em abril, nessa curva do mês que descamba para a segunda metade. Os boletins meteorológicos não se lembraram de anunciá-lo em linguagem especial. Nenhuma autoridade, munida de organismo publicitário, tirou partido do acontecimento. Discretos, silenciosos, chegaram os dias lindos.
E aboliram, sem providências drásticas, o estatuto do calor. A temperatura ficou amena, conduzindo à revisão do vestuário. Protege-se um tudo-nada o corpo, que vivia por aí exposto e suado, bufando contra os excessos da natureza. Sob esse mínimo de agasalho, a pele contente recebe a visita dos dias lindos.
A cor. Redescobrimos o azul correto, o azul azul, que há meses se despedaçara em manchas cinzentas no branco sujo do espaço. O azul reconstituiu-se na luz filtrada, decantada, que lava também os matizes empobrecidos das coisas naturais e das fabricadas. A cor é mais cor, na pureza deste ar que ousa desafiar os vapores, emanações e fuligens da era tecnológica. E o raio de sol benevolente, pousando no objeto, tem alguma coisa de carícia.
O ar. Ficou mais leve, ou nós é que nos tornamos menos pesadões, movendo-nos com desembaraço, quando, antes, andar era uma tarefa dividida entre o sacrifício e o tédio? Tornou-se quase voluptuoso andar pelo gosto de andar, captando os sinais inconfundíveis da presença dos dias lindos.
Foi certamente num dia como estes que Cecília Meireles escreveu: "A doçura maior da vida flui na luz do sol, quando se está em silêncio. Até os urubus são belos, no largo círculo dos dias sossegados". Porque a primeira conseqüência da combinação de azul e leveza de ar é o sossego que baixa sobre nosso estoque de problemas. Eles não deixam de existir. Mas fica mais fácil carregá-los.
Então, é preciso fazer justiça aos dias lindos, oferecer-lhes nossa gratidão. Será egoísmo curti-los na moita, deixando de comentar com os amigos e até com desconhecidos que por acaso ainda não perceberam o raro presente de abril: "Repare como o dia está lindo". Não precisa botar ênfase na exclamação. Pode até fazê-la baixinho, como quem transmite boato e não deseja comprometer-se com a segurança nacional. Mesmo assim, a afirmação pega. Não só o dia fica mais lindo, como também o ouvinte, quem sabe se distraído ou de lenta percepção sensorial, ganha a chance de descobri-lo igualmente. Descobre e passa adiante a informação.
A reação em cadeia pode contribuir para amenizar um tanto o que eu chamo de desconcerto do mundo. De onde se conclui: deixar de lado, mesmo por instantes, o peso dos acontecimentos mundiais trágicos, esmagadores, para degustar a finura da atmosfera e a limpidez das imagens recortadas na luz, é um passo dado para reduzir o desconcerto, na medida em que a boa disposição de espírito de cada um pode servir de prefácio, ou rascunho de prefácio, à pacificação, ou relativa pacificação, dos povos e seus dominadores. Em vez de alienação, portanto, o prazer dos dias lindos é terapia indireta.
Pode ser que o desconhecido lhe responda com um palavrão, desses em moda na sociedade mais fina. Não faz mal. Não se ofenda. Ele descarregou sobre a sua observação amical o azedume que ameaçava corroê-lo no íntimo. Livre desse fel, talvez se habilite a olhar também para o céu e a descobrir mesmo certa beleza esvoaçante no urubu. De qualquer modo foi avisado. Já sabe o que estava perdendo: a consciência de que certos dias de abril e maio são mais lindos do que os outros dias em geral, e nos integram num conjunto harmonioso, em que somos ao mesmo tempo ar, luz, suavidade e gente.
Carlos Drummond de Andrade, texto publicado no Jornal do Brasil, 1970.
Sobre o texto de Carlos Drummond de Andrade, podemos afirmar que se trata de um texto do gênero:
Alternativa “a”. Existem elementos no texto de Carlos Drummond de Andrade que caracterizam uma crônica, já que podemos observar que a narrativa retrata acontecimentos do cotidiano e foi publicada em um jornal. Na crônica em questão, observa-se que Drummond fez uma análise filosófica dos fatos, fazendo uma reflexão dos eventos por ele citados.
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Questão 2
Assinale a alternativa que associa, respectivamente, as características e função social aos gêneros mencionados abaixo:
1. Pequena narrativa em que os animais são as personagens protagonistas. Apresenta uma crítica ao comportamento humano por meio da atitude de animais. Esse gênero serve como distração e moralização, pois apresenta determinados valores considerados socialmente aceitos.
2. Texto com linguagem verbal e não verbal, da ordem do descrever/prescrever, com uso de elementos voltados para determinado público-alvo, cujo objetivo é despertar sentidos ou desejos; apresenta predomínio da sugestão sobre a informação.
3. Texto com as mesmas características básicas da narração, sem, contudo, apresentar conflito. Tem a função social de representar experiências vividas situadas no tempo.
Alternativa “d”.
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Questão 3
(ENEM 2012)
E como manejava bem os cordéis de seus títeres, ou ele mesmo, títere voluntário e consciente, como entregava o braço, as pernas, a cabeça, o tronco, como se desfazia de suas articulações e de seus reflexos quando achava nisso conveniência. Também ele soubera apoderar-se dessa arte, mais artifício, toda feita de sutilezas e grosserias, de expectativa e oportunidade, de insolência e submissão, de silêncios e rompantes, de anulação e prepotência. Conhecia a palavra exata para o momento preciso, a frase picante ou obscena no ambiente adequado, o tom humilde diante do superior útil, o grosseiro diante do inferior, o arrogante quando o poderoso em nada o podia prejudicar. Sabia desfazer situações equívocas, e armar intrigas das quais se saía sempre bem, e sabia, por experiência própria, que a fortuna se ganha com uma frase, num dado momento, que este momento único, irrecuperável, irreversível, exige um estado de alerta para a sua apropriação.
RAWET, S. O aprendizado. In: Diálogo. Rio de Janeiro: GRD, 1963 (fragmento).
No conto, o autor retrata criticamente a habilidade do personagem no manejo de discursos diferentes segundo a posição do interlocutor na sociedade. A crítica à conduta do personagem está centrada:
a) na imagem do títere ou fantoche em que o personagem acaba por se transformar, acreditando dominar os jogos de poder na linguagem.
b) na alusão à falta de articulações e reflexos do personagem, dando a entender que ele não possui o manejo dos jogos discursivos em todas as situações.
c) no comentário, feito em tom de censura pelo autor, sobre as frases obscenas que o personagem emite em determinados ambientes sociais.
d) nas expressões que mostram tons opostos nos discursos empregados aleatoriamente pelo personagem em conversas com interlocutores variados.
e) no falso elogio à originalidade atribuída a esse personagem, responsável por seu sucesso no aprendizado das regras de linguagem da sociedade.
Alternativa “a”.
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Questão 4
Observe as tirinhas Mafalda, de Quino, e Calvin e Haroldo, de Bill Watterson:

A charge pode ser uma relevante ferramenta de difusão cultural e de formação educacional. Mafalda, de Quino
A charge tem como uma de suas características a interação entre a linguagem escrita e a linguagem visual. Calvin e Haroldo, Bill WattersonO gênero textual charge tem como características:
1. Interação entre a linguagem escrita e a linguagem visual.
2. Tem como objetivo tornar seus leitores competentes, críticos e capazes de transformar e modificar a realidade em que se inserem.
3. Não permite que o leitor faça qualquer análise social ou política sobre os fatos apresentados.
4. Predominância da linguagem figurada, ou seja, geralmente utiliza-se de metáforas e termos literários.
5. Linguagem objetiva e clara, utilizando recursos que estimulam o receptor, levando-o a desenvolver a criticidade.
Alternativa “b”.